quinta-feira, 7 de setembro de 2017

NECA MACHADO

MEU NOME É MARIA! SIMPLESMENTE MARIA! MAR, IA.... MARIA!

(MITOS E LENDAS DA AMAZONIA, EM DUAS EDIÇÕES PUBLICADAS EM PORTUGAL)


PORTO-PORTUGAL-2017


ELEITA A MELHOR CIDADE PARA TURISMO NA EUROPA EM 2017.


NECA MACHADO DA AMAZONIA PARA O MUNDO.

UMA PRODUÇÃO INDEPENDENTE DE NECA MACHADO-AMAZONIA
EDIÇÃO LIMITADA.
nmmac@live.com

"NÃO EXISTE SORTE, EXISTE NORTE FORTE, FEITO COM CORAGEM!"




MEU NOME É MARIA!
TEMPESTADE E CALMARIA.
BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)

MEU NOME É MARIA!
SOU TEMPESTADE E CALMARIA!


“Posso ser atingida por ondas, mas, não afundarei, porque se não houver chuvas, não haverá floradas...”


EU não sou Santa,
Nem tenho manto,
Mas, tenho fé...
Desbravo a dor
Cheia de pranto
Faço do encanto
A magia em curso, feito Maré....

MEU NOME É MARIA!
INTENSA, CHEIA DE TERNURA
Caminho, percurso de pura coragem.
Atravesso PONTES entre Continentes sem olhar para trás.

MEU NOME É MARIA...


Posso ser, Joana, sem ter espadas, Vitoria com minhas glorias, Sabrina com meu sabre das entranhas da Mata,
Posso ser uma ISIS tucuju com o sabor da floresta nativa, nascida e parida no Rio Amazonas.
DIANA, iluminada pelo Sol do Equador.
Posso ser MAIA, soberana das Marés.
Posso ser IRENE pacificando meus próprios conflitos.
Posso ser AFRODITE, como uma espuma saída das POROROCAS e das lendas da floresta.
Posso ser MAIA, Terra nativa, cultivando minha essência Raiz.
MAS, SOU, SOMENTE MARIA!
NÃO SOU DEUSA, NEM RAINHA,

APENAS MARIA!
TERRA, CHÃO, MARÉ E CORAÇÃO!


Não sou Santa de candura, mas, cultivo a fé!
Na harmonia das horas
Sou tão Senhora, de Maria a Nazaré...
Sou Senhora de meus Sonhos,
Tenho o encanto da floresta,
Brilho suave na testa
Essência nativa da Terra.
Banhada com a magia de deuses afros.
Que aportaram suas Luzes divinas
Em minha cor.

MEU NOME É MARIA!


Sou descendente afro, cultivada na derme, gravada no amago.
MARIA de suor, lagrimas, dor e alegrias,
MEU NOME É MARIA! TEMPESTADE E CALMARIA.

Maria feito maré sem rumo
Que desagua em norte incerto
Com o vento bravio no rosto, como recompensa
Serena, altiva e MARIA!
ENTRE NAÇÕES, CONTINENTES E OCEANOS...

MEU NOME É MARIA!
Caminheira sem raiz
Com raízes aéreas, motriz de uma força singular.


MARIA compasso
Passo, encanto, magia
Soneto, rima, poesia...
MARIA, MARÉ, TEMPESTADE E CALMARIA!
MEU NOME É MARIA!
ENTRELAÇADA DE SONHOS DE ESPERANÇA.

Percurso e fé,
Caminho, trilhas, ninhos
Prados, montanhas
Céu infinito
Nuvens esparsas
Voo livre, MEL NOS OLHOS...

SOU A MARIA, mas, não sou SANTA.


Sem manto, tenho prantos,
Tenho dor, tenho risos de encantos,
Mas, tenho fé!

MEU NOME É MARIA!
TEMPESTADE E CALMARIA!
Dependendo da euforia.
“ORGULHO DE SER, SIMPLESMENTE MARIA!”









MEU NOME É MARIA!  MAR, MARÉ, MARESIA...

TEMPESTADE E CALMARIA.

Neca Machado (Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas, premiada em 2016 com classificação na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016, Licenciada Plena em Pedagogia, Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)



MEU NOME É MARIA!  
AR....MAR, MARÉ, MARESIA...

ABRIGO
SENTIR,
POESIA....

MEU NOME É MARIA, MAR,
AR, MÃE, MARÉ, MARESIA...


Sou maré a desaguar em teu oceano....
Me entranho no teu azul celestial
Fundo-me com tuas cores,
E aprofundo me em tuas ondas,
Mergulho
Colho,
Recolho,
Escolho...
Desfolho-me,
Deixando minhas pétalas de flor silvestre
A vagar em teu infinito.


SOU MARIA, AR E MAR.
MARÉ, MARESIA.

A bater no cais e dançar no ar,
A sombrear-me nas pedras ao teu redor,
A ser Maré infinita no teu azul,
A vagar por tempestades entre Mundos,
A ser ponte entre continentes distantes,
A tecer minhas teias
Entre tuas ondas
A levitar com o vento que te encobre
Em noites de euforia.
SOU MARIA,
SOU MARÉ,
MARESIA.

Sou estrela a te guiar
Em noites de escuridão
E sou espelho a te fitar
Quando queres minha mão.
Sou teu ventre, e tua entranha,
A versejar tua cor,
A debruçar-me de poesia,
Por teu AMOR.

SOU, SIMPLESMENTE MARIA!
QUE AMO, CONTEMPLAR O MAR.










POR DE SOL EM PORTUGAL

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A POESIA DE NECA MACHADO NO MUNDO

NECA MACHADO DA AMAZONIA,NO 2º FESTIVAL DE POESIA DE LISBOA 2017

CARTILHA DE INFORMAÇÕES ÚTEIS



Esta cartilha foi elaborada pela direção da Helvetia Edições e visa atender às necessidades básicas e dúvidas dos participantes do II Festival de Poesia de Lisboa.
A mesma tem o intuito de facilitar o planejamento daqueles que virão de outros países, cidades e estados e de orientar os que não estarão presentes.
Os hotéis indicados aqui foram credenciados para o evento, entretanto, não nos responsabilizamos pelos serviços prestados ou por reservas de vagas.
Dúvidas poderão ser sanadas através do e-mail
 festivaldepoesiadelisboa@gmail.com
Estamos aguardando a todos com muita alegria para um dia especial e inesquecível.
Sejam todos bem-vindos!

Jannini Rosa
Diretora Geral Helvetia Edições







Introdução:
No dia 09/09/2017 acontecerá uma grande festa em prol da língua portuguesa e, sobretudo, do gênero poético. Agradecemos desde já a participação de cada poeta e poetisa, pois sem vocês, nada seria possível. Aos que não podem estar presentes, desejamos imensamente tê-los numa próxima vez. Aos que já confirmaram presença, só podemos dizer que esperamos ansiosamente pelo nosso encontro. Foram seis meses de preparação para este evento que promete uma série de atividades especiais, visando o enriquecimento de cada participante, como também a socialização e a conquista de novos contatos profissionais. Aqui nesta cartilha, há opções de hotéis, instruções e informações necessárias para o bom funcionamento do II Festival de poesia de Lisboa. Vale ressaltar que, mesmo estando ausente, é necessário ler o documento para estar ciente das instruções de sua respectiva categoria. Caso tenha qualquer dúvida, não hesite em nos contatar.







 CATEGORIA AUSENTES

Informações importantes:
• Para possibilitar o acesso às palestras e cerimônia de premiação e certificação, a equipe da Helvetia Edições estará transmitindo em tempo real todo o evento na fanpage Festival de Poesia de Lisboa. Caso você ainda não tenha curtido esta página no facebook, não perca tempo, porque é uma ferramenta que poderá fazer com que se sinta pertinho de nós enquanto o evento estiver acontecendo. Se não tiver conta nesta rede social, entre em contato conosco após o dia 12/09 para que possamos enviar os links dos vídeos que estarão disponíveis no youtube.
• Os livros serão enviados a partir do dia 20/09 e, caso você deseje exemplares adicionais, as encomendas devem ser feitas até o dia 10/07 no e-mail festivaldepoesiadelisboa@gmail.com.  Cada livro adicional tem um valor de R$12 ou EUR7
• O resultado do concurso será divulgado no evento do dia 09/09 e, posteriormente, por e-mail.
• Junto aos livros, enviaremos um certificado de participação.











 CATEGORIA PRESENTES

1) Exemplares Adicionais

Cada autor poderá solicitar exemplares adicionais do livro A vida em poesia II, até o dia 10/07 pelo e-mail festivaldepoesiadelisboa@gmail.com.  O valor unitário terá um custo de R$12 ou EUR7.  Vale ressaltar que na ocasião do evento, o autor receberá seus exemplares de direito e os exemplares adicionais encomendados.


2) Pagamento de jantar e acompanhantes

Conforme informado no regulamento que rege o projeto, o valor do jantar de encerramento que será realizado no Centro Cultural de Belém, tem um custo de EUR70 por participante. Este valor deverá ser pago até o dia 10/08/2017, mediante envio de confirmação de reserva e de dados para depósito por parte da equipe Helvetia.
Não há custo de participação para acompanhantes que estejam com um autor participante no evento ao longo dia. Entretanto, no jantar de encerramento, os acompanhantes também deverão efetuar o pagamento de EUR70.
Reservas para o jantar devem ser feitas de maneira imediata através do e-mail festivaldepoesiadelisboa@gmail.com










3) Hotéis Credenciados para o Evento

• Solplay Hotel de apartamentos

Endereço: Rua Manuel da Silva Gaio,nº 2 - 2795-132 Linda-a-Velha

Telefone: +351 21 006 6000

Reservas: reservashotel@solplay.pt  

(Reservas a partir de EUR100/diária)

   
• Hotel Vila Galé Ópera
Endereço: Travessa do Conde da Ponte 141, 1300-141 Lisboa, Portugal
Telefone:+351 21 004 6000
Reservas: opera.reservas@vilagale.com
(Reservas a partir de EUR120/diária)





4) Programação

08/09/2017
• 20h - Jantar de abertura e confraternização:
Local: Portugália Cervejaria - Av. Brasília, Ed. Espelho D’Água, 1400-038 Lisboa
Tel: 213 032 700
   Obs1 : Pagamento a ser efetuado diretamente no restaurante.
   Obs2: É necessário confirmar presença até dia 25 de agosto, a fim de realizarmos a reserva das mesas

09/09/2017
Local: Centro Cultural de Belém
● 10h:  Abertura geral e boas-vindas
● Exposição de Livros em tempo integral a partir das 10h
● 10h30min -  Palestra: A Poesia no cotidiano, por Conceição Oliveira, Lisboa – Portugal
● 11h00min - Palestra: Ser poeta na Era Digital, por Emanuel Lomelino, Lisboa – Portugal
● 11h30min – Palestra:  Poesia lírica, por Carla De Sà Morais, Blonay - Suíça
● 12h00min - Pausa para almoço
● 13h30min - Oficina: A Poesia dos astros, por Laurinda Rodrigues, Lisboa- Portugal
● 15h00min – Palestra: A relação entre a música e a poesia, por Felipe Cattapan, Zurique – Suíça
● 15h30min – Oficina: A viagem através da poética portuguesa, por Maria Melo, Lisboa - Portugal
● 16h20min - Coffee Breack
● 19h30min – Cerimônia de entrega de premiação e certificados com lançamento do livro A vida em poesia II
● 21h - Jantar de encerramento e sarau poético





5) Feirinha literária integral e sarau poético

   Sobre sarau: Após a cerimônia de premiação, todos os participantes poderão participar do sarau que ocorrerá simultâneo ao jantar. Caso você tenha interesse em recitar suas poesias, pedimos que as selecione antes da ocasião, a fim de dinamizarmos o momento.

 Sobre feirinha integral: Cada autor poderá levar 2 exemplares de cada título de sua autoria para exposição e venda. O acerto de contas será feito logo após o evento. A organização da feira retira 20 % em cima das vendas.

(Se você deseja participar desta feirinha, envie-nos um e-mail solicitando a ficha onde deverá conter valor de venda e títulos)



6) Considerações finais

• Todos os participantes da feirinha literária deverão levar seus livros (caso restem), não cabendo à Helvetia a responsabilidade de enviar-lhes posteriormente.

• A equipe chegará a Lisboa no dia 07/09.

Telefones para contato: +41 79 874 11 16 – Jannini Rosa (diretora-geral) +41 79 701 84 85 – Carla De Sà Morais (diretora-adjunta) +41 79 736 23 90 – Alexsandro Martins dos Santos (Administrativo)

GAROTA DE IPANEMA, CAPELA DE NECA MACHADO PARA O RIO DOURO

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

CONTOS DA NECA MACHADO EM PORTUGAL

CONTOS QUE ENCANTAM, DA BEIRA DO RIO AMAZONAS, POR NECA MACHADO

A LUA ME CEGOU!


CONTOS DA BEIRA DO RIO AMAZONAS



Por > Neca Machado

BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, de novo em 2017, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, de novo em 2017. Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Coautora na obra lusa, lançada em Lisboa em 09.09.2017, A Vida em Poesia, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)



A LUA ME CEGOU!

A velha rua da Praia acordou com os gritos assustados de alguém que perambulava sem rumo, gritando em uma voz cheia de medo: “A Lua me cegou, a lua me cegou, a lua me cegou...”

Maltrapilho, descalço e parece CEGO.
Foi assim que o delegado de polícia da capital o encontrou, foi chamado por moradores que assustados pareciam petrificados sem entender a situação. O delegado abriu os olhos do coitado, e sem explicação nenhuma, dizia que não tinha nada ali, deve ser um “cisco” que caiu no teu olho, repetia. E o pobre Homem continua a gritar: “foi a lua, foi a lua, foi a lua…”
Foi levado num camburão da polícia para o Hospital geral que era o mais próximo da rua da praia. E por orientação medica foi mandado para o departamento de psiquiatria.
No outro dia, parentes avisados o procuram por lá, ainda estava cego.
A Mãe repetia que ele “era bom”, não tinha problemas nos olhos, que enxergava tudo, que andava sozinho por Macapá, que gostava dos puteiros e do quebra mar.

Mas, enfim, ele estava cego!
A cegueira repentina para ele tinha uma causa: “Foi a Lua”
Ainda meio tonto dos remédios que lhe deram, ele tentava lembrar de alguma coisa.
Disse que estava na frente do Mercado Central, que pegou um carreto de bananas e foi deixar na quitanda da Mulher, que nem sabia o nome, e que ela tinha lhe dado uns trocados, e que feliz foi tomar umas no boteco da esquina com uma morena que acabara de chegar no Igarapé das Mulheres e agora fazia “ponto” por ali...
Depois foram passear no trapiche, que naquela noite tinha uma bela LUA.
Ainda tentou fazer uma poesia, mas não era letrado.
De mãos dadas correram os dois pela Pedra do Guindaste, sempre fitando a Lua, redonda feita uma peteca azul dizia ele.
Parece que era meia noite.
E aí, foi quando lembrou que não enxergava mais.
A última visão foi a LUA. Cheia de gente, cheia de mistérios, cheia de desejos inimagináveis...

E agora ele CEGO.
Os anos se passaram e ele continua a repetir, muitas vezes agora com uma velha bengala de companhia “FOI A LUA, foi a lua, foi a Lua...”
Foi culpa da LUA.

A LUA ME CEGOU!

(Para muitos Pajés da floresta Amazônica a LUA e cheia de mistérios, encantos e enigmas. Cuidado, a LUA também deixa marcas…)





UM ROSTO
Conto publicado no Jornal Diário do Amapá em, 23 de fevereiro de 2003.

O rosto que apareceu no espelho não era verdadeiro!

A moradora do bairro do Igarapé das Mulheres se espantou; tinham rugas que pareciam de verdade, o sorriso era enigmático e traiçoeiro, como um verdadeiro Demonio. A luz que pairava sobre o vulto sem forma no reflexo do espelho era assustador.
A noticia correu como um campeonato de velocidade, primeiro a benzedeira foi chamada, depois cobriu com um pano o local, passou algo embebido em cachaça, fumou um cigarro barato, fez o sinal da cruz e a coisa não sumiu.
A casa foi construída na beira do Igarapé das Mulheres, seus pés permaneciam dentro das águas barrentas o ano todo; às vezes a madeira de lei ficava totalmente encoberta, outras vezes somente a metade, dizem as más línguas que foi a reza de um pescador sentimental que agourou a velha casa, comprada com trocas de muitas viagens de pescaria, alqueires de farinha, piracuí e algumas frutas que foram plantadas na parte mais alta da propriedade, que serviu de moeda para adquirir tal patrimônio.

A reza foi complementada com muita água benta deixada de presente pelo velho pároco que estimava a família.

No espelho o visitante ao olhar a imagem refletida, tinha a sensação de realmente se deparar com um ROSTO, as vezes com o reflexo do sol do equador, até parecia um Anjo.
Se era uma imagem masculina, o padre que também foi chamado, não soube explicar. O que realmente aconteceu foi algo assustador; os antigos moradores sumiram de repente, como por encantamento de mãe do mato, a policia ainda tentou investigar o sumiço, porém, nada foi deixado como pista. Era um casal de velhos da Ilha do Marajó, não tinham filhos, viviam somente da pescaria, e um dia a noticia chegou: os pobres velhos sumiram, alguém achou que foi o Boto, outros que foram comidos por jacaré açu que rondavam o local, e nada.
O que se comentava pelos cantos, era que agora, com alguém morando na mesma casa, os antigos donos queriam voltar e assumir seu lugar, um lugar agora habitado por demônios.

O ROSTO no espelho ficou na lembrança de muitas pessoas, como Dona Maroca que só de lembrar ainda sente calafrios na espinha e se benze, dizendo: Cruz, credo, virgem Maria!






FUNDO DE GAVETA
Publicado em 21 de fevereiro de 2003 no Jornal Diário do Amapá.

Quando ela se deparou chegando aos oitenta anos sentiu um leve frio na costela...
A negra dos Campos do Laguinho sentou na varanda da casa rústica e resolveu revirar seu passado, era como se limpasse o armário e olhasse profundamente para um fundo de gaveta...
Primeiro foram às mãos que envelheceram sem o sentir do passar dos anos, tinham marcas profundas de uma jovialidade, que a cor conservava, sem que o tempo demonstrasse sinal de sua presença.

Já não podia tocar em algo que as dores de um reumatismo não surgisse de repente, que a deixavam prostrada por dias a fio na velha rede de algodão.

Muitos sinais da passagem da juventude desapareceram, sumiram como por encanto. A dor de cabeça era uma constante, e o famoso banho de São João que conservava debaixo da cama, era sua salvação, o banho era um segredo de família, conservado anos. Em dias de comemoração ao famoso santo, as ervas aromáticas ficavam em infusão por três dias banhadas em água de poço amazônida e retirados pela madrugada, tinha que ser antes do sol raiar para fazer efeito segundo a velha senhora. Sua sabedoria popular extrapolou os limites do Laguinho e as consultas em sua casa eram diárias.

Na gaveta o fundo amarelado guardava alem das lembranças, muitas saudades. Recostou o ombro na cadeira de balanço, tirou um fio de cabelo, e percebeu sua cor esbranquiçada que ficou em suas mãos, neste momento, outra dor mais forte no peito. Eram as lembranças que aquela gaveta lhe trazia, não lhe faziam bem nenhum.
Pensou no tempo em que o velho murucizeiro conhecia suas lembranças, foram cúmplices durante muitas décadas, ele era um confidente leal, em sua sombra a cumplicidade, seus frutos doces no chão, somente uma desculpa para querer sua companhia. Agora as tardes não possuíam mais o encanto de outrora, havia naquele momento um amargo sabor de saudade.
A gaveta seria fechada de uma hora pra outra, e com ela toda uma vida de glorias, vitórias, desamor, magoas, arrependimentos, tristezas, sonhos... Tudo ficou no passado!

NO FUNDO DE UMA VELHA GAVETA!






A BORBOLETA
Publicado no Jornal Diário do Amapá em; 12 de fevereiro de 2003-cultura.

A BR 156 estava completamente nublada ao entardecer, e ainda no vidro do carro embaçado pela chuva fina, o motorista tentava não desviar da estrada, porém, os buracos em numero excessivo eram grande obstáculo, ele ainda estava preocupado com o sono leve que se aproximava deixando transparecer um ar de inquietação.

Neste momento um caminhão carregado de eucaliptos que vinha em sentido contrario o fez redobrar a atenção para não ocasionar um acidente grave.
O buraco no meio da estrada surgiu como por encanto, ele sabia que não estava lá quando veio pela primeira vez, e o sol ainda estava no alto norteando sua viagem. O barulho das rodas no asfalto fez com que os ocupantes que estavam no banco de traz acordassem, e aos gritos perguntavam: o que foi isso? E o coitado branco de medo não tinha uma explicação.

A viagem com o primeiro susto seria o começo de uma grande odisséia naquela noite. O carro equilibrava na estrada como que conduzido por algo estranho e o motorista continuava com seu medo sem demonstrar aos outros ocupantes.
O vento forte que bateu no vidro da janela, fez com que uma claridade repentina despertasse o motorista que já se acalmava do primeiro susto, e ele não sabe explicar como o fenômeno aconteceu: primeiro foi uma rajada de vento acompanhado de uma luz muito forte, depois um inseto que foi se transformando em algo maior e ele exclamou assustado aos amigos que era uma Borboleta gigante.
No percurso com destino ao município amapaense de Ferreira Gomes, uma Borboleta luminosa acompanhou a viagem sem se deixar ficar para traz.
As vezes acompanhava do lado direito do carro, e quando o motorista tentava firmar o olhar para reconhecer o inseto, ela se esquivava e desaparecia, para logo em seguida surgir do nada no outro lado.

A luz que a rodeava era uma luz diferente que mudava de cor segundo o tal motorista que não conseguiu descrever qual a sensação de visualizar algo sobrenatural. Também existiu o medo que foi indescritível naquele momento de pavor.

E a estória da tal Borboleta Gigante se espalhou pelos velhos motoristas da BR 156.